Formulário para busca no site

Com patrocínio da Unimed Campinas, Titãs e Orquestra Anelo se unem para produzir versão inédita de "Comida"

Publicado 11/03/2021

Música ganhou arranjo de Guilherme Ribeiro. Gravado a distância e com a participação de 21 integrantes dos coros do Instituto Anelo. Um trabalho que é fruto da parceria do Instituto com o grupo. A nova versão marcou o 50º Aniversário da Unimed Campinas, patrocinadora do clipe.

 

 

Sucesso da banda de rock Titãs, “Comida” ganhou uma nova versão em dezembro do ano passado, cujo vídeo está disponível no canal da banda no YouTube (https://www.youtube.com/watch?v=jLW3ZpjFRt4). Desta vez, Branco Mello, Sérgio Britto e Tony Bellotto se juntaram à Orquestra Anelo, maior grupo instrumental pertencente ao Instituto Anelo, de Campinas (SP), para uma gravação que confere toques jazzísticos à canção escrita em 1987 por Britto, Arnaldo Antunes e o saudoso guitarrista Marcelo Fromer (1961-2001).

 

Com arranjo do regente Guilherme Ribeiro, “Comida” foi gravada a distância, devido à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), e envolveu 45 pessoas. Além dos 21 músicos da Orquestra e dos três Titãs, a nova versão conta com a participação de 21 integrantes dos coros do Instituto Anelo. A edição de imagens é de Julia Mazzotti Toledo e a mixagem de som de Henrique Manchuria, respectivamente pianista/produtora e trompetista da Orquestra Anelo. 

 

A parceria entre os Titãs e o Instituto Anelo, associação sem fins lucrativos que há 20 anos oferece aulas gratuitas de música na região do distrito do Campo Grande, periferia da cidade de Campinas, começou em 29 de dezembro de 2018 no programa Caldeirão do Huck, da Rede Globo de Televisão. Na ocasião, o grupo cedeu à instituição os direitos autorais da versão remix de “Epitáfio”, feita juntamente com o DJ Alok.

 

Desde então, a banda tem acompanhado o trabalho realizado pelo Anelo. Em 26 de outubro de 2019, aproveitando um compromisso profissional na cidade, Branco Mello, Sérgio Britto e Tony Bellotto visitaram a sede do Instituto pela primeira vez. Mais recentemente, o grupo doou instrumentos e equipamentos musicais à instituição.

 

Com a gravação do vídeo de “Comida”, essa parceria dá mais um passo importante. Sobre a escolha da canção, Luccas Soares, fundador e coordenador geral do Anelo, afirma: “Essa música fala por si só, ainda mais num momento tão difícil como este que estamos vivendo”. Ele cita, por exemplo, os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no último dia 17 de setembro, sobre o aumento no número de pessoas sem acesso regular à alimentação básica - são 10,3 milhões de brasileiros, 3 milhões a mais em relação ao levantamento anterior.

 

Sem dúvida, “Comida” é um clássico e segue relevante há três décadas. “Eu nunca imaginei que a música fosse permanecer durante tanto tempo. Aliás, eu nunca imaginei que a gente fosse permanecer tanto tempo como banda e que as nossas canções fossem resistir ao tempo, não só essa como outras. É sempre uma surpresa agradável ver que o que você fez na juventude segue relevante, ainda faz sentido para muitas pessoas e é um recado pertinente”, diz Britto.

 

Branco faz coro. “Chama a atenção o fato de tantas músicas que gravamos nesses quase 40 anos de carreira continuem fazendo tanto sentido ainda hoje. ‘Comida’ é uma delas, e expressa o desejo e a necessidade que temos de tantas coisas fundamentais na vida. Ninguém previa que tantos anos depois ela continuaria tão atual e presente.”

 

Para Bellotto, uma das coisas boas de ser de uma banda de rock é que você não pensa nem na próxima semana, quem dirá nos próximos 40 anos. “É claro que, quando a gente fez ‘Comida’, gravou, e ela fez muito sucesso, a gente nunca imaginou que, 30 anos depois, ela ainda estaria presente na vida das pessoas, e de uma maneira mais urgente, mais abrangente. E nem que a gente estaria fazendo novas versões com Elza Soares [lançada em 23 de outubro de 2020] e com o Anelo. Ainda bem, porque se a gente pensasse em todas as consequências das coisas que a gente fazia naquela época, talvez a gente nem conseguisse seguir.” 

 

Sobre gravar com a Orquestra Anelo, Britto diz que a experiência foi ótima e diferente. “Eu já conhecia alguns músicos do Instituto Anelo. Mas ver eles tocando aquela metaleira, o arranjo de metais... Ficou maravilhoso, com pitadas de jazz e de rhythm and blues”, disse, ressaltando que o arranjo deu uma cara diferente para uma música que já foi gravada por nomes como Ney Matogrosso e Marisa Monte, além das versões acústicas e elétricas feitas pelos próprios Titãs e, mais recentemente, em parceria com Elza Soares. “Mas essa com o Instituto Anelo ficou muito bacana, tem sua cara, sua personalidade.”

 

Bellotto diz que trabalhar com o Anelo é sempre uma experiência muito gratificante, porque o que permeia todo o projeto é uma energia muito grande de solidariedade. “E essa solidariedade expressada pela música torna tudo especial. É muito legal ver músicos de alto gabarito formados nesse projeto tão interessante, tão solidário e tão amoroso na acepção mais profunda da palavra. Vale mais do que qualquer coisa, do que dinheiro, do que sucesso. Participar de um projeto com tanta energia, com tanta verdade, com tanto carinho, com tanta solidariedade, é o que conta”, afirma. “Foi muito bom fazermos mais essa parceria musical com o Instituto Anelo”, diz Branco.

 

O ARRANJO

 

Autor do arranjo, Guilherme Ribeiro conta que gosta muito da versão original de “Comida”, que está no disco “Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas”, de 1987. “É uma versão muito interessante e muito emblemática dos anos 80, com as linhas e baixo, a bateria meio eletrônica.” Porém, preferiu se basear na mais recente versão acústica da canção. “Peguei elementos dessa versão, principalmente as linhas de violão e de guitarra, e também mantive o groove de bateria em respeito a uma música tão importante para a carreira de uma banda desse porte.”

 

Mas, explica, como estava escrevendo para uma big band, encaixou a orquestra num diálogo com a letra, com o canto. “Coloquei ali umas linhas mais rock and roll, mais bluesy, uma coisa meio funk até, especialmente pensando nos metais”, diz o regente, frisando que buscou construir um arranjo que não fizesse a música perder a essência, mantendo o vínculo com versões consagradas no sentido de engrandecer a canção.

 

Na avaliação de Guilherme, o fato de a Orquestra Anelo ter feito esse trabalho com os Titãs é um sinal de que o grupo está no caminho certo. “Demonstra a confiança deles no projeto, na parte musical do Instituto Anelo. Certamente vai abrir as portas para novos trabalhos e parcerias.” Em tempo: Guilherme revela ter um carinho especial pelos Titãs. “Faço parte de uma das gerações que eles influenciaram. Um disco que me marcou muito foi ‘Cabeça Dinossauro’. Foi um disco que fui comprar quando tinha 10 anos e tenho o vinil até hoje.”

 

SUPERANDO EXPECTATIVAS

 

Luccas Soares afirma que a parceria do Anelo com os Titãs foi muito além das expectativas. “A gente jamais poderia sonhar em ter uma parceria tão sólida com uma banda tão importante no cenário da música brasileira. Uma banda que está aí, quase completando 40 anos, o que é praticamente a minha idade [ele tem 40]. Esses caras são inspiração”, afirma.

 

Para ele, os três integrantes dos Titãs não precisam provar mais nada, porque já fizeram tanto pela música ao longo desses quase 40 anos, mas continuam fazendo com a mesma seriedade. “Para mim, é a melhor banda de todos os tempos por tudo o que eles representam, pela generosidade e pela parceria em prol da música.”

 

A admiração é mútua. “Essa ideia de promover a inclusão social através da música, de maneira desprendida, sem ligação com igreja, com religião, com Estado nem com político, nem nada, apenas com a boa vontade das pessoas que ajudam e ficam comovidas, tocadas com a causa, é uma ideia maravilhosa. Coisas assim fazem muita falta no Brasil.”

 

Para Tony Bellotto, apoiar um projeto como o Anelo é uma honra. “É um projeto sério, que realmente ajuda, que transforma a vida das pessoas. E a música, como esse grande amálgama, essa ligação entre as energias, os afetos, os objetivos, as vontades, é a grande força concreta do Anelo”, diz. “É muito importante para nós, Titãs, apoiar um projeto tão consistente, que forma ótimos músicos e dá oportunidade a tantas pessoas talentosas”, completa Branco.

 

SOBRE A ORQUESTRA ANELO

 

Iniciada em 2018, a Orquestra Anelo é dedicada à formação de repertório arranjado, tendo a música brasileira e o jazz americano como referência estética. Conta atualmente com 22 integrantes entre professores e colaboradores do Instituto Anelo. Sua formação deriva de uma tradicional big band de jazz, mas também incorpora instrumentos característicos da música brasileira como o acordeon, o cavaquinho, a percussão e a flauta transversal. É dirigida pelo músico, compositor e arranjador Guilherme Ribeiro.