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Doomscrolling: Como o Consumo Excessivo de Notícias Afeta a Saúde Mental

Artigo publicado em: 21/10/2026

Saúde Emocional

Doomscrolling: Como o Consumo Excessivo de Notícias Afeta a Saúde Mental

O doomscrolling é o hábito de consumir notícias negativas por longos períodos, quase sempre de forma automática. Para explicar o tema com base técnica, a Unimed Campinas entrevistou a psicóloga Tatiana Thomaz Moreira Bitteler, que analisou como esse comportamento aparece na rotina e por que pode prejudicar a saúde mental.

O problema não está em acompanhar fatos importantes, mas em perder o limite desse consumo. Quando a pessoa continua buscando atualizações mesmo com angústia, medo ou cansaço, a informação deixa de orientar e passa a alimentar tensão, alerta, ansiedade e esgotamento.

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O QUE É DOOMSCROLLING?

O doomscrolling é o consumo repetitivo de conteúdos negativos, alarmantes ou emocionalmente pesados em redes sociais, sites e aplicativos. Ele se manifesta quando a pessoa segue rolando o feed, abrindo novas notícias e procurando atualizações mesmo sem necessidade real.

A sequência de atualizações reforça a sensação de crise e pode manter o cérebro em estado de alerta constante.

POR QUE É TÃO DIFÍCIL PARAR DE ROLAR O FEED DE NOTÍCIAS?

É difícil parar porque o cérebro pode interpretar a busca por informação como uma forma de proteção. A pessoa sente que, se acompanhar tudo, estará mais preparada para lidar com riscos, mudanças ou situações incertas.

Segundo Tatiana Thomaz Moreira Bitteler, esse comportamento também se relaciona à tentativa de controle e à expectativa de alívio a cada nova atualização. Como esse alívio costuma durar pouco, logo surge outra dúvida, outro alerta ou outra notícia negativa, mantendo o ciclo ativo.

COMO SABER QUANDO O CONSUMO DE NOTÍCIAS PASSOU DO LIMITE?

O consumo passou do limite quando começa a gerar sofrimento ou atrapalhar a rotina. Um sinal importante é perceber que existe vontade de parar, mas a pessoa continua checando atualizações de maneira repetitiva.

Alguns indícios merecem atenção:

●     tempo excessivo acompanhando atualizações;

●     dificuldade para interromper o hábito;

●     irritação, medo ou tristeza depois do consumo;

●     prejuízos no sono, na concentração, no trabalho ou nos estudos.

COMO O DOOMSCROLLING AFETA A SAÚDE MENTAL?

O doomscrolling pode aumentar estresse, medo, irritabilidade, tristeza e sensação de sobrecarga. Isso acontece porque o cérebro tende a priorizar ameaças, e o ambiente digital amplia esse contato ao oferecer fluxo contínuo de conteúdos intensos.

Como observa Tatiana Bitteler, a exposição contínua também pode prejudicar osono, a concentração e o humor. Quando o consumo acontece antes de dormir, o corpo pode permanecer em alerta. Para quem sente esse impacto, aprender a organizar melhor o uso de telas e cuidar da saúde mental ajuda a reduzir a sobrecarga.

QUAL É A DIFERENÇA ENTRE SE MANTER INFORMADO E ENTRAR EM CONSUMO COMPULSIVO?

Manter-se informado é buscar notícias com objetivo, limite de tempo e fontes confiáveis. A pessoa entende o que precisa saber e consegue parar. Já o consumo compulsivo aparece quando existe necessidade constante de verificar atualizações, mesmo sem novidade relevante.

A diferença está no controle. Quando o hábito afeta humor, sono e concentração, o consumo deixa de cumprir função informativa. Nessa fase, a tentativa de controle vira parte do problema, porque a pessoa acompanha mais notícias para se sentir segura, mas termina mais ansiosa.

REDES SOCIAIS E NOTIFICAÇÕES PODEM PIORAR ESSE COMPORTAMENTO?

Sim. Redes sociais e notificações podem piorar esse comportamento porque estimulam permanência, urgência e resposta imediata. Esses recursos facilitam o consumo contínuo sem percepção clara do tempo.

Também é comum que conteúdos de forte reação emocional apareçam com frequência. Por isso, desativar notificações desnecessárias, limitar horários de uso e criar momentos de pausa digital na rotina ajudam a reduzir o estímulo constante.

QUEM PODE ESTAR MAIS VULNERÁVEL AO DOOMSCROLLING?

Pessoas com ansiedade, em períodos de estresse intenso ou com histórico de sofrimento emocional podem estar mais vulneráveis ao doomscrolling. Jovens e adolescentes também exigem atenção quando usam redes sociais como fonte frequente de informação.

Crises coletivas, como pandemias, guerras, desastres naturais ou instabilidade política, aumentam a vulnerabilidade da população em geral. Nesses períodos, acompanhar os efeitos das redes sociais sobre o bem-estar emocional ajuda a reconhecer quando o uso pesa demais.

COMO CRIAR LIMITES MAIS SAUDÁVEIS NO DIA A DIA?

Criar limites saudáveis significa transformar o consumo de notícias em uma escolha, não em impulso. O objetivo não é ignorar a realidade, mas se informar sem comprometer descanso, foco e bem-estar.

Algumas medidas práticas ajudam:

●     definir horários específicos para se informar;

●     evitar notícias antes de dormir;

●     desativar notificações em excesso;

●     alternar tempo online com atividades offline.

Esses limites funcionam melhor quando são simples e possíveis de manter. Trocar o celular por caminhada, leitura, música ou conversa presencial reduz a exposição automática.

O QUE PODE AJUDAR A INTERROMPER O CICLO DE DOOMSCROLLING?

Interromper o ciclo exige perceber quando o consumo deixou de ser intencional. Ao notar que está rolando o feed sem propósito, a pessoa pode bloquear a tela, respirar, levantar ou mudar de atividade por alguns minutos.

Também ajuda limitar o tempo de aplicativos, retirar redes sociais da tela inicial e evitar páginas que aumentam medo. Quando o corpo já mostra tensão, irritação ou cansaço recorrente, entender os sinais de estresse na rotina pode complementar esse cuidado.

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QUANDO VALE BUSCAR AJUDA PSICOLÓGICA?

Vale buscar ajuda psicológica quando o consumo de notícias prejudica sono, humor, concentração, trabalho, estudos ou relacionamentos. Também é importante procurar apoio quando medo, irritação, tristeza ou ansiedade ficam frequentes e difíceis de controlar.

A psicoterapia pode ajudar a identificar gatilhos, reduzir comportamentos automáticos e construir uma relação mais saudável com a informação. Quando a pessoa sente que não consegue se desligar das atualizações, permanece em alerta mesmo longe das telas ou percebe sofrimento emocional crescente, esse cuidado passa a ser ainda mais importante.

Cuidar da saúde mental também envolve reconhecer quando algo deixou de ser apenas um incômodo passageiro e começou a afetar a rotina. Se o doomscrolling tem aumentado sua ansiedade, prejudicado seu descanso ou dificultado sua concentração, veja também quando procurar um psicólogo e entenda os sinais de que pode ser hora de buscar apoio profissional.

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