Limites são importantes para manter uma vida saudável, já que os excessos costumam ser bastante perigosos. Um exemplo claro disso é a diferença entre paixões e obsessões. Até que ponto é bom gostar de algo ou alguém?
Você já parou para pensar se mantém algum relacionamento obsessivo no seu dia a dia? Do trabalho ao videogame, ou também com relação a uma outra pessoa, é muito importante ficar atento!
Gostar do outro é positivo e benéfico, em grande parte das vezes, porém, há casos em que se chega ao extremo. Nessas situações, o quadro pode se transformar em doença.
Vamos falar um pouco mais sobre isso para entender a importância de cuidar dos nossos sentimentos e ter mais qualidade de vida. Continue acompanhando a leitura para refletir!
O que é paixão?
Em primeiro lugar, é bom lembrar que estamos falando de conceitos subjetivos, ou seja, que não têm uma única definição. No dicionário, podemos conferir que paixão é sentimento, entusiasmo, predileção ou amor tão intensos que ofuscam a razão".
Estar apaixonado remete a felicidade e pode estar relacionado a diferentes áreas da vida como trabalho, família e relacionamento amoroso. A paixão deixa a gente leve, feliz, motivado e realizado.
Apesar de essa sensação de satisfação e contentamento, na maioria das vezes, significar algo positivo, é importante tomar cuidado para que a paixão se mantenha dentro de um limite saudável e não se torne obsessiva — o que poderíamos considerar como "passar do ponto".
E o que é obsessão?
A obsessão é um apego exagerado, por mais que a sua motivação seja fruto de algo bom. Por exemplo, amar demais alguém é um sentimento bonito até o ponto que vira um problema. Os exageros são perigosos e representam um risco para a saúde mental, emocional e física.
Há muitos sinais de como isso se revela na relação entre duas pessoas: a tensão ao ficar longe mesmo que por pouco tempo; o ciúmes desmedido; a tentativa exagerada de controle; um medo muito grande da perda do outro; entre outros. A obsessão tem muito a ver com uma dependência, a ponto de ser tóxica.
É importante perceber que não falamos apenas de relações interpessoais, ainda que essa seja uma das situações mais comuns. A obsessão pode se revelar nas mais diversas circunstâncias. Quem não consegue ficar longe do celular, por exemplo, tem uma postura obsessiva. Como um vício, existe uma necessidade impulsiva e irracional que coloca em risco sua autonomia, bem-estar, felicidade e, claro, a sua saúde.
Qual a importância de estabelecer limites?
A importância está exatamente em evitar comportamentos obsessivos e, consequentemente, afastar as complicações que isso poderia trazer para a sua vida. Não há problema em estar apaixonado e se sentir muito realizado com algo ou alguém. Porém, em determinados casos, essa relação ultrapassa o que consideramos como saudável e é nesse ponto que se torna prejudicial.
Há pessoas, por exemplo, que ficam obcecadas por ter um corpo perfeito. Então, começam a fazer exercícios físicos como um vício, restringem demais a alimentação, deixam de lado a vida social pelo risco de perder esse controle e algumas até começam a tomar substâncias nocivas para tentar influenciar os resultados.
Veja bem, o problema não está em querer ter um certo tipo de corpo, assim como não há impedimento nenhum em ser completamente apaixonado por uma pessoa com a qual você se relaciona. A questão está no exagero e, portanto, a solução depende de estabelecer um limite saudável para tudo isso.
Rever todos os nossos hábitos é o primeiro passo para identificar os sentimentos e atitudes em relação a cada um deles. Quando entramos no campo da obsessão, é natural desenvolver uma expectativa ou carência muito elevadas. É como se a balança ficasse pesada demais para um lado, representando um desequilíbrio difícil de manter.
Como saber o limite entre o saudável e o adoecimento nas relações?
O comportamento humano é um universo complexo e cheio de detalhes, até porque cada pessoa é diferente da outra. Assim, os sentimentos e ações podem ter uma certa semelhança, mas é fundamental que o tratamento seja individualizado. Duas pessoas "viciadas" em trabalho podem ter causas diferentes para essa conduta, além de reações variadas.
O ponto é: deixa de ser saudável quando faz mal. Porém, nem todo mundo é capaz de perceber isso sozinho, o que faz com que buscar ajuda seja uma etapa importante do processo de superar uma obsessão. Um psicólogo ou psiquiatra têm qualificação para esse tipo de diagnóstico, mas a realidade é que estar atento às suas emoções e ouvir as pessoas ao seu redor também pode fazer toda a diferença.
Sentiu que perdeu o autocontrole? Está observando um hábito não muito agradável? Percebe uma sensação de angústia constante? Tem agido mais por uma emoção descontrolada do que pela razão? Não se reconhece em alguns momentos? Esses são sinais a serem avaliados.
Depois de identificar um comportamento obsessivo, o próximo passo é trabalhar a definição dos limites e se esforçar para superar a questão dia após dia, já que cada pessoa tem um tempo de evolução. Ter uma vida emocionalmente equilibrada influencia em todos os aspectos, desde a produtividade no trabalho até a saúde da pele ou a qualidade do sono.
Quais os riscos de manter relacionamentos obsessivos?
Para finalizar, vale reforçar que tudo o que impacta a nossa saúde deve ser um alerta. Os riscos dos relacionamentos obsessivos envolvem uma série de desdobramentos como:
- Dependência emocional;
- Angústia e tristeza constantes;
- Depressão e ansiedade;
- Baixa autoestima;
- Compulsão ou restrição alimentar;
- Insônia, taquicardia e dores musculares.
Além dos sintomas relacionados à saúde, as complicações afetam a rotina a ponto de impactar o desempenho profissional, a vida financeira, entre várias outras possibilidades.
Ou seja, evitar esse tipo de situação é fundamental para sua qualidade de vida! O autoconhecimento é uma ferramenta poderosa para guiar nossas escolhas, assim como a ajuda de profissionais especializados também é de grande auxílio para a manutenção da saúde emocional.
A psicoterapia é um dos recursos mais recomendados como tratamento para diagnósticos de comportamentos obsessivos. Entender melhor as nossas emoções e aprender a lidar com elas é realmente um privilégio.
Ame a si mesmo, ame a sua vida, ame as pessoas e ame até as coisas que você conquistou, mas lembrando sempre que alguns limites são essenciais para o seu bem-estar. Os sentimentos bons devem sempre prevalecer e conter os excessos, esse é um segredo valioso para manter o equilíbrio!
Conteúdo revisado pela equipe de Medicina Preventiva da Unimed Campinas.