Carregando...
App Unimed Campinas

App Unimed Campinas Unimed

Baixar
VOLTAR

Gorduras Boas: O Que São e Como Incluir na Alimentação?

Artigo publicado em: 08/09/2026

Viver com Saúde

Gorduras Boas: O Que São e Como Incluir na Alimentação?

Durante muito tempo, a palavra “gordura” foi tratada como sinônimo de problema. A ciência da nutrição, porém, há anos deixou claro que não é bem assim: o tipo de gordura consumida importa mais do que a quantidade isolada. Para falar sobre gorduras boas, o que são, onde encontrá-las e como incluí-las no dia a dia, a Unimed Campinas entrevistou a nutricionista Thais Helena Cabral.

O QUE SÃO GORDURAS BOAS?

A confusão começou nas décadas em que “gordura” virou palavra proibida na dieta. Mas o que a pesquisa nutricional foi mostrando, ao longo do tempo, é que o problema nunca foi a gordura em si: foi o tipo de gordura.

Minha Imagem

Gorduras boas é como ficaram conhecidas as gorduras insaturadas, que se comportam de forma diferente no organismo quando comparadas às saturadas e trans. Enquanto as gorduras trans, por exemplo, elevam o colesterol ruim e reduzem o bom, as insaturadas tendem a fazer o caminho oposto: protegem o coração, participam da produção de hormônios e ajudam o corpo a absorver vitaminas que só funcionam na presença de gordura, como a vitamina D, a A, a E e a K.

Na prática, isso significa que uma alimentação sem gordura não é uma alimentação mais saudável. Uma salada regada com azeite, por exemplo, não é apenas mais saborosa: ela é nutricionalmente mais completa do que a mesma salada servida sem nenhuma gordura.

QUAL É A DIFERENÇA ENTRE GORDURAS BOAS, SATURADAS E TRANS?

As gorduras se dividem em três grandes categorias, e entender a diferença entre elas ajuda a fazer escolhas mais conscientes no supermercado e na cozinha.

     gorduras insaturadas (mono e poli-insaturadas): consideradas as mais benéficas, estão associadas à redução do colesterol LDL e à proteção cardiovascular;

     gorduras saturadas: presentes em carnes gordas, manteiga, queijos e produtos de origem animal em geral; em excesso, podem elevar o colesterol LDL, mas não precisam ser eliminadas da dieta, apenas consumidas com moderação;

     gorduras trans: as mais prejudiciais à saúde, presentes em alimentos ultraprocessados e frituras industriais; elevam o colesterol ruim e reduzem o bom, com impacto negativo sobre o sistema cardiovascular.

A leitura dos rótulos é uma aliada importante nesse processo. Identificar a presença de gordura trans nos ingredientes, que pode aparecer como “óleo vegetal hidrogenado”, permite fazer escolhas mais informadas.

QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS TIPOS DE GORDURAS BOAS?

As gorduras insaturadas se dividem em dois grupos principais, com características e fontes distintas.

Gorduras monoinsaturadas

Presentes principalmente no azeite de oliva, no abacate e nas oleaginosas como castanhas, nozes e amêndoas. São estáveis ao calor moderado e versáteis para uso culinário.

Gorduras poli-insaturadas

Incluem os ácidos graxos ômega-3 e ômega-6, presentes em peixes de água fria, sementes de chia e linhaça, e alguns óleos vegetais. São essenciais, ou seja, o organismo não as produz e precisa obtê-las pela alimentação.

QUAIS ALIMENTOS SÃO BOAS FONTES DE GORDURAS SAUDÁVEIS?

Algumas opções práticas e acessíveis para quem quer incluir gorduras saudáveis na rotina:

     azeite de oliva extravirgem: rico em gorduras monoinsaturadas e compostos antioxidantes; indicado para temperar saladas e finalizar pratos;

     abacate: fonte de gorduras monoinsaturadas e potássio; versátil para saladas, vitaminas e pastas;

     castanhas, nozes, amêndoas e amendoim: praticidade nos lanches e boa densidade de gorduras insaturadas e proteínas;

     chia e linhaça: fontes de ômega-3 de origem vegetal; podem ser adicionadas a iogurtes, frutas, mingaus e sucos;

     peixes como salmão, sardinha e atum: fontes privilegiadas de ômega-3 de alta biodisponibilidade.

ÔMEGA-3 E ÔMEGA-6 SÃO GORDURAS BOAS?

Sim, e são dois dos nutrientes mais falados quando o assunto é alimentação saudável. Ômega-3 e ômega-6 são ácidos graxos essenciais, isto é, o corpo não consegue produzi-los. A única forma de obtê-los é pelo que se come.

O ômega-3 tem ação anti-inflamatória e está associado à saúde do coração e do cérebro. O ômega-6 também tem funções importantes, mas aqui está um ponto que merece atenção: o que importa não é só a quantidade de cada um, mas a proporção entre eles. Dietas com muito ômega-6 e pouco ômega-3, padrão comum em quem consome muitos ultraprocessados, podem favorecer processos inflamatórios no organismo.

Na prática, isso significa que não basta incluir ômega-6 na dieta: é preciso garantir fontes regulares de ômega-3 também, como peixes gordurosos, chia e linhaça.

QUAIS BENEFÍCIOS AS GORDURAS BOAS TRAZEM PARA A SAÚDE?

As gorduras insaturadas contribuem para a saúde de diversas formas, e seus efeitos vão além do sistema cardiovascular.

     controle do colesterol: as gorduras insaturadas ajudam a reduzir os níveis de LDL (colesterol ruim) e a manter ou elevar o HDL (colesterol bom);

     proteção cardiovascular: o consumo regular está associado à redução do risco de eventos cardíacos e doenças arteriais;

     saciedade: a gordura retarda o esvaziamento gástrico, o que prolonga a sensação de saciedade e pode ajudar no controle do apetite;

     função cerebral: o cérebro é composto em grande parte por gordura, e os ácidos graxos essenciais têm papel relevante na memória, no humor e na função cognitiva;

     absorção de vitaminas: as vitaminas A, D, E e K são lipossolúveis, ou seja, precisam de gordura para serem absorvidas pelo organismo. Sem uma quantidade adequada de gordura na dieta, mesmo uma alimentação rica em vegetais pode resultar em deficiência dessas vitaminas. Para entender melhor a importância da vitamina D, por exemplo, leia nosso artigo sobre vitamina D: o que é, qual a importância e as consequências da sua falta.

MESMO SENDO SAUDÁVEIS, ELAS PRECISAM DE MODERAÇÃO?

Sim. Gorduras boas continuam sendo gorduras: cada grama fornece 9 kcal, independentemente da origem. O excesso calórico, mesmo com alimentos saudáveis, pode contribuir para o ganho de peso e o desequilíbrio alimentar.

A quantidade ideal varia conforme o peso, a rotina de atividade física, a idade e as necessidades individuais de cada pessoa. Uma porção de castanhas, uma colher de sopa de azeite ou meia unidade de abacate ao dia já são contribuições relevantes para quem busca uma alimentação equilibrada.

O foco, segundo a nutricionista Thais Helena Cabral, deve estar na qualidade da gordura consumida, e não na eliminação total do macronutriente. Substituir gradualmente as gorduras trans e o excesso de saturadas por fontes insaturadas já representa um ganho concreto para a saúde.

COMO INCLUIR GORDURAS BOAS NA ALIMENTAÇÃO NO DIA A DIA?

Incluir gorduras saudáveis na rotina não exige grandes mudanças. Pequenos ajustes nos hábitos alimentares já fazem a diferença.

     usar azeite extravirgem para temperar saladas e finalizar pratos quentes, no lugar de óleos refinados;

     adicionar uma colher de chia ou linhaça ao iogurte, à fruta ou ao mingau do café da manhã;

     manter uma pequena porção de castanhas, nozes ou amêndoas nos lanches;

     incluir peixes como salmão, sardinha ou atum pelo menos duas vezes por semana;

Minha Imagem

     substituir coberturas ultraprocessadas por fatias de abacate nas refeições.

Essas inclusões são práticas, acessíveis e compatíveis com diferentes rotinas. O importante é que sejam consistentes ao longo do tempo, e não pontuais.

Entender o papel das gorduras boas é um passo importante para uma alimentação mais consciente. Se você quer aprofundar esse tema e entender como a nutrição pode atuar como ferramenta de prevenção de doenças, leia o artigo sobre alimentação como prevenção de doenças.

Planos Rede

O que você procura?