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Mitos e Verdades da Musculação: Profissional Responde

Viver com Saúde

A musculação é, sem dúvida, uma das atividades físicas mais praticadas e recomendadas por profissionais de saúde. Seja para ganhar força, definir o corpo, auxiliar no emagrecimento ou simplesmente para ter mais qualidade de vida no envelhecimento, ela oferece benefícios para todas as idades.

No entanto, a prática ainda é cercada por muitas dúvidas. Quem nunca ouviu dizer que "músculo vira gordura" ou que é preciso sentir dor para o treino fazer efeito? Tanta desinformação pode acabar afastando pessoas que se beneficiariam muito da atividade.

Para ajudar a separar o que é fato do que é boato, a Unimed Campinas convidou um especialista no assunto. Conversamos com o profissional de Educação Física Emerson Clodoaldo dos Santos, pós-graduado em Exercício Físico Aplicado à Reabilitação Cardíaca e a Grupos Especiais e em Prescrição do Treinamento para Doenças Crônicas.

CONHEÇA OS PRINCIPAIS MITOS E VERDADES DA MUSCULAÇÃO

Vamos esclarecer, de uma vez por todas, os principais mitos e verdades na musculação.

1. O MÚSCULO PRECISA DOER PARA QUE A MUSCULAÇÃO ESTEJA FAZENDO EFEITO?

MITO. Aquela dorzinha muscular que aparece um ou dois dias após um treino intenso, conhecida cientificamente como DOMS (Dor Muscular Tardia de Início Retardado), não é um termômetro obrigatório de resultados.

O profissional explica que o crescimento muscular (hipertrofia) e os ganhos de força dependem de fatores como a tensão mecânica (o esforço em si), o estresse metabólico e a sobrecarga progressiva (aumentar o desafio ao longo do tempo). A dor não é um desses pilares.

É perfeitamente possível ter excelentes resultados e adaptações musculares com pouca ou nenhuma dor pós-treino, especialmente quando o corpo já está mais adaptado àquele estímulo. Aliás, sentir dor excessiva pode ser um sinal de alerta, indicando sobrecarga inadequada, má execução ou falta de recuperação, o que pode aumentar o risco de lesões.

2. TREINAR TODOS OS DIAS PREJUDICA O CRESCIMENTO MUSCULAR?

VERDADE. Treinar o mesmo grupo muscular todos os dias, sem o descanso adequado, pode sabotar seus resultados. Emerson explica que o crescimento muscular não acontece durante o treino, mas sim durante o período de recuperação.

É no descanso que o corpo repara as microlesões causadas pelo exercício e aumenta a síntese de proteínas, construindo músculos mais fortes. Sem um intervalo de, pelo menos, 48 a 72 horas para cada grupo muscular, o corpo pode entrar em um estado de overreaching (excesso de treino não recuperado).

Isso pode levar a uma queda no desempenho e na força , aumento de marcadores inflamatórios e do hormônio do estresse (cortisol) , além de um risco muito maior de lesões por uso excessivo. A estratégia mais eficaz é dividir o treino (os famosos "splits") e respeitar os intervalos de recuperação.

3. LEVANTAR MUITO PESO SEMPRE TRAZ MELHORES RESULTADOS?

MITO. Quando falamos em mitos e verdades na musculação, este é um clássico. Levantar cargas muito pesadas é excelente para quem busca ganhos de força máxima, mas não é o único caminho (e nem sempre o melhor) para a hipertrofia.

Estudos mostram que cargas moderadas (que permitem fazer entre 6 a 15 repetições) podem gerar um crescimento muscular equivalente ao de cargas muito pesadas (1 a 5 repetições), desde que o treino seja levado perto da falha muscular e o volume total seja igualado.

Além disso, usar cargas excessivas sem a técnica correta ou uma progressão gradual aumenta muito o estresse nas articulações e o risco de lesões. O segredo, segundo o profissional, é a aplicação individualizada da sobrecarga progressiva, balanceando a carga (intensidade), o número de séries e repetições (volume) e a recuperação.

4. MUSCULAÇÃO ATRAPALHA QUEM QUER EMAGRECER? 

MITO. Este é um dos mitos e verdades na musculação que mais precisa ser desfeito. Longe de atrapalhar, a musculação é uma ferramenta fundamental e sustentável no processo de perda de peso.

Isso acontece por alguns motivos principais:

     acelera o metabolismo: o músculo é um tecido metabolicamente ativo, ou seja, ele gasta calorias simplesmente para existir. Quanto mais massa magra você constrói, mais calorias seu corpo queima em repouso;

     queima calorias pós-treino: o treino de força gera o efeito EPOC (consumo excessivo de oxigênio pós-exercício), que mantém seu gasto calórico elevado por horas (às vezes até 48h) após o fim da atividade;

     melhora a sensibilidade à insulina: o treino otimiza a forma como seu corpo usa a glicose e também melhora a capacidade de usar a própria gordura como fonte de combustível;

     preserva a massa magra: ao fazer uma dieta de restrição calórica, é comum perder gordura e músculos. A musculação sinaliza para o corpo que os músculos são necessários, preservando a massa magra e evitando o temido "efeito sanfona".

5. MÚSCULO VIRA GORDURA QUANDO A PESSOA PARA DE TREINAR?

MITO. Pode respirar aliviado: é fisiologicamente impossível que um tecido se transforme em outro. Músculo é composto de fibras proteicas e gordura (tecido adiposo) é composta de adipócitos.

O que realmente acontece quando alguém para de treinar e mantém os mesmos hábitos alimentares (ou seja, mesma ingestão calórica) é um processo duplo:

  1. os músculos, sem o estímulo do treino, começam a atrofiar (diminuir de tamanho);
  2. o gasto calórico diário diminui (pela falta do treino e pela redução da massa magra), e o excesso de calorias que não é gasto passa a ser armazenado como gordura corporal.

O resultado é uma mudança na composição corporal: a pessoa fica com menos músculo e mais gordura. Não é uma transformação, mas sim uma substituição de espaço.

6. FAZER ALONGAMENTO ANTES OU DEPOIS DO TREINO AJUDA A EVITAR LESÕES?

MITO (com ressalvas). O alongamento isolado não é a ferramenta mais eficaz para prevenir lesões por si só. A ciência, aliás, tem atualizado muito esse conceito.

Emerson dos Santos esclarece que o alongamento estático (aquele em que você segura uma posição por segundos) feito antes do treino de força pode, na verdade, reduzir temporariamente a produção de força e potência, sem diminuir o risco de lesões de forma significativa.

O que realmente ajuda a preparar o corpo e reduzir riscos é o aquecimento dinâmico. Ele inclui movimentos ativos, como balanços de pernas, rotações de tronco ou agachamentos com peso corporal. Isso eleva a temperatura muscular, melhora a amplitude do movimento e prepara o sistema nervoso para o esforço.

O alongamento estático após o treino é bem-vindo: ele ajuda a relaxar, aliviar a rigidez e restaurar o comprimento muscular, favorecendo a recuperação, mas seu impacto direto na prevenção de lesões futuras é baixo. Para quem busca os 10 benefícios das atividades físicas para sua vida, focar no aquecimento correto é essencial.

7. EXISTE IDADE MÍNIMA OU MÁXIMA PARA COMEÇAR A PRATICAR MUSCULAÇÃO? 

MITO. Não existe idade máxima para começar. Adultos e idosos podem e devem iniciar a qualquer momento (após uma avaliação médica, claro). Para essa população, a musculação é ainda mais importante, pois combate a perda de massa magra, melhora a densidade óssea, o equilíbrio e a funcionalidade geral.

Também não há uma idade mínima rígida, embora esse seja um dos grandes mitos e verdades na musculação. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda o treinamento resistido (musculação adaptada) a partir dos 7 anos, desde que o programa seja leve e supervisionado por um profissional capacitado.

Mesmo antes disso, crianças podem fazer exercícios lúdicos com resistência corporal (agachar, pular, flexões leves) para desenvolver coordenação e força, sempre respeitando o crescimento ósseo. O segredo, em todas as faixas etárias, é a individualização e a supervisão profissional.

8. MUSCULAÇÃO É FUNDAMENTAL PARA A AUTONOMIA DURANTE O ENVELHECIMENTO?[8] 

VERDADE. Com o passar dos anos, nosso corpo passa por um processo natural de perda de massa muscular, chamado sarcopenia. Isso diminui a força, afeta o equilíbrio e torna tarefas simples, como levantar de uma cadeira ou carregar compras, muito mais difíceis.

A musculação atua diretamente na prevenção da sarcopenia, ajudando a manter ou até aumentar a massa magra. Além disso, ela melhora a densidade óssea (reduzindo risco de osteoporose) e a coordenação motora.

Manter-se forte é um pilar para a autonomia e independência na terceira idade. É um assunto tão sério que vale a pena entender mais sobre a perda de massa muscular após os 40 anos e como práticas de saúde, incluindo a atividade física no tratamento da hipertensão, são cruciais.

9. POR FIM, O QUE REALMENTE IMPORTA MAIS: CARGA, REPETIÇÕES OU CONSTÂNCIA?[9] 

CONSTÂNCIA. De todos os mitos e verdades na musculação, talvez o mais importante seja entender onde focar sua energia. Carga e repetições são variáveis importantes, mas o fator mais crítico para ter resultados reais e duradouros é a consistência .

Manter uma rotina regular de treinos é o que permite que o corpo receba estímulos contínuos e se adapte através da sobrecarga progressiva. Não adianta fazer um treino perfeito hoje e faltar as próximas duas semanas.

O profissional reforça que tanto treinos com alta carga e poucas repetições quanto treinos com baixa carga e muitas repetições podem gerar hipertrofia de forma muito parecida, desde que o esforço seja suficiente (próximo da falha) e o volume total seja adequado.

O ajuste de carga e repetições é importante para objetivos específicos (força vs. resistência), mas nada disso funciona sem a regularidade.

Agora que você desvendou os principais mitos e verdades na musculação, fica claro que essa prática é uma aliada poderosa da sua saúde, baseada em ciência e acessível a todos.

Que tal entender mais a fundo por que essa prática é tão importante e como dar os primeiros passos com segurança? Continue sua leitura em nosso artigo completo e entenda a importância da musculação e como começar.

 

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