A Salmonella é uma bactéria que ganha destaque frequente em notícias
sobre saúde pública, especialmente associada a surtos de intoxicação alimentar.
Mas você sabe realmente o que é essa bactéria e quais são os riscos que ela
representa?
Presente em ambientes diversos e com uma capacidade considerável de
sobrevivência, a contaminação por Salmonella pode levar a um quadro chamado
salmonelose, que varia de um mal-estar passageiro a complicações sérias de
saúde.
Conhecer suas formas de transmissão, os grupos de maior risco e as
medidas de prevenção é o primeiro passo para proteger você e sua família. Vamos
entender melhor esse agente infeccioso que merece nossa atenção.
O QUE É SALMONELLA?
A Salmonella é um tipo de bactéria que pertence à família Enterobacteriaceae.
Existem mais de 2.500 sorotipos diferentes, mas os que mais comumente causam
doenças em humanos podem ser agrupados em duas grandes categorias principais:
●
Salmonella typhi e Salmonella paratyphi:
responsáveis pela febre tifoide, uma doença sistêmica mais grave, que exige
tratamento específico e é mais comum em regiões com saneamento básico
inadequado;
● Salmonella
não tifoide: Este é o grupo associado à grande maioria das infecções
alimentares, causando a salmonelose gastrointestinal. Exemplos comuns são a Salmonella
enteritidis e a Salmonella typhimurium.
Essas bactérias são resistentes e podem sobreviver por semanas em
ambientes secos e por meses na água. Seu principal habitat é o trato intestinal
de animais, incluindo aves, gado, porcos, répteis (como tartarugas e iguanas) e
até mesmo alguns animais de estimação.
COMO OCORRE A INFECÇÃO
POR SALMONELLA?
A infecção por Salmonella ocorre, principalmente, quando o ser humano
ingere água ou alimentos contaminados pela bactéria. Essa contaminação pode se
estabelecer em diferentes momentos da cadeia alimentar, desde as fases iniciais
de produção e processamento até o armazenamento, o preparo e o consumo, o que
explica por que surtos podem surgir tanto em ambientes industriais quanto
domésticos.
De modo geral, a transmissão está fortemente associada ao consumo de
alimentos que não passaram por cocção suficiente ou que foram manipulados de
forma inadequada. Ovos crus ou mal cozidos e preparações que os utilizam, como
maionese caseira, mousses e massa de bolo crua, são exemplos frequentes nesse
contexto, porque a bactéria pode permanecer viável quando não há aquecimento
adequado.
Situação semelhante ocorre com carnes, especialmente de aves, mas também
bovina e suína, quando consumidas mal passadas ou quando há contaminação
cruzada durante o preparo, como ao usar os mesmos utensílios e superfícies para
alimentos crus e prontos para consumo.
Além disso, leite não pasteurizado e derivados produzidos a partir dele
podem atuar como veículo de transmissão, já que a pasteurização é uma etapa
importante para reduzir a carga microbiológica e prevenir a presença de agentes
patogênicos.
Também se observa risco relevante em frutas, verduras e legumes quando há
contato com fezes de animais contaminados ou com água não tratada, seja durante
a irrigação, a colheita, o transporte ou a higienização inadequada antes do
consumo.
Embora a via alimentar seja a mais comum, outras formas de transmissão
também têm importância epidemiológica. O contato direto com animais infectados,
particularmente répteis, aves e anfíbios, ou com ambientes onde esses animais
permanecem, pode levar à contaminação quando não há lavagem apropriada das mãos
após o manuseio.
Do mesmo modo, falhas de higiene pessoal, como não lavar as mãos após
usar o banheiro ou antes de manipular alimentos, favorecem a disseminação
fecal-oral da bactéria e contribuem para a ocorrência de casos, especialmente
em domicílios e locais de preparo coletivo de refeições.
PRINCIPAIS SINTOMAS DA
SALMONELOSE
A doença causada pela Salmonella não tifoide, a salmonelose, afeta
principalmente o sistema gastrointestinal. Os sintomas geralmente começam entre
6 a 72 horas após a ingestão do alimento ou água contaminados e podem durar de
4 a 7 dias.
Os sintomas mais comuns são:
●
diarreia (que pode conter muco ou sangue);
●
cólicas e dor abdominal fortes;
●
febre;
●
náuseas e vômitos;
● dor
de cabeça e mal-estar geral.
Na maioria dos casos, os sintomas são leves a moderados e o corpo
consegue combater a infecção sozinho. No entanto, em algumas situações, a perda
intensa de líquidos pela diarreia e vômito pode levar a uma desidratação grave,
que é uma das principais complicações a serem observadas.
QUEM ESTÁ MAIS
SUSCETÍVEL À INFECÇÃO POR SALMONELLA?
Embora qualquer pessoa possa contrair salmonelose, alguns grupos têm um
risco maior de desenvolver a forma grave da doença e sofrer complicações. Esses
grupos são:
●
crianças menores de 5 anos, cujo sistema imunológico
ainda está em desenvolvimento;
●
idosos, especialmente aqueles com mais de 65 anos,
devido à possível redução da resposta imunológica;
●
gestantes, pois a infecção pode trazer riscos adicionais
para a mãe e o bebê;
● pessoas
com o sistema imunológico comprometido, como pacientes em tratamento contra o
câncer (quimioterapia), portadores de HIV/AIDS, transplantados ou pessoas com
doenças crônicas como diabetes ou doenças renais.
COMO É FEITO O
DIAGNÓSTICO DA INFECÇÃO POR SALMONELLA?
O diagnóstico inicial é baseado na avaliação clínica dos sintomas e no
histórico do paciente (ingestão de alimentos suspeitos, contato com animais,
etc.). Para a confirmação laboratorial, é necessário isolar a bactéria a partir
de amostras do corpo do paciente.
Os exames mais utilizados são: coprocultura, uma análise de uma amostra
de fezes para identificar a presença da Salmonella. É o exame mais comum para
casos de gastroenterite. E também a hemocultura, que é a coleta de sangue para
tentar identificar se a bactéria chegou à corrente sanguínea.
COMO É O TRATAMENTO
PARA SALMONELOSE?
Em casos leves e moderados: O tratamento é sintomático e de suporte. O
mais importante é manter uma hidratação adequada para repor os líquidos e sais
minerais perdidos.
Em casos graves ou para grupos de risco: Quando há sinais de infecção
generalizada, desidratação severa ou o paciente pertence a um grupo vulnerável,
o médico pode prescrever antibióticos específicos.
A persistência de sintomas gastrointestinais merece atenção. Para
entender outras condições que podem afetar o intestino, confira nosso conteúdo
sobre: Doenças inflamatórias intestinais: o que são e quais as principais.
POSSÍVEIS COMPLICAÇÕES
DA INFECÇÃO POR SALMONELLA
A maioria das pessoas se recupera totalmente da salmonelose sem sequelas.
No entanto, as complicações, embora raras, podem ser sérias, especialmente nos
grupos de risco. As principais são:
●
desidratação grave: é a complicação mais frequente,
resultante da perda excessiva de líquidos e eletrólitos;
●
bacteremia ou sepse: quando a bactéria invade a
corrente sanguínea, podendo levar a uma infecção generalizada e falência de
órgãos;
●
artrite reativa: algumas pessoas podem desenvolver
dores nas articulações, irritação nos olhos e dor ao urinar semanas após a
infecção intestinal;
● síndrome do intestino irritável: a infecção
pode desencadear problemas digestivos de longo prazo em algumas pessoas.
COMO PREVENIR A
INFECÇÃO POR SALMONELLA?
A prevenção da infecção por Salmonella depende, sobretudo, de boas
práticas de higiene e de manipulação correta dos alimentos. Cozinhar bem
carnes, aves e ovos é uma das medidas mais eficazes, porque o aquecimento
adequado elimina a bactéria; por isso, deve-se evitar o consumo de ovos crus ou
mal cozidos.
A higiene das mãos também é decisiva: é importante lavá-las antes de
preparar alimentos e após usar o banheiro, trocar fraldas ou tocar em animais.
Para reduzir riscos no preparo, deve-se evitar contaminação cruzada, mantendo
utensílios e superfícies separados para alimentos crus e alimentos prontos,
além de higienizar bem frutas, verduras e legumes, especialmente quando
consumidos crus.
Por fim, a conservação adequada completa a prevenção: a geladeira deve
permanecer em temperatura segura e alimentos perecíveis não devem ficar fora de
refrigeração por longos períodos.
Também é recomendável
atenção ao contato com animais de estimação, em especial répteis e aves, com
lavagem das mãos após o manuseio ou limpeza do ambiente. Essas medidas, além de
ajudarem contra Salmonella, fortalecem a prevenção de infecções em geral no cotidiano.
A prevenção é a melhor forma de cuidar da saúde. Para mais orientações
valiosas sobre como se proteger de infecções no dia a dia, confira nosso artigo
especial como prevenir Infecções: orientações de uma enfermeira.