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Meu Filho Não Come: Confira Dicas de Uma Nutricionista Que Podem Ajudar

Artigo publicado em: 12/09/2026

Cuidado Contínuo

Meu Filho Não Come: Confira Dicas de Uma Nutricionista Que Podem Ajudar

Lidar com a alimentação infantil costuma gerar uma ansiedade extrema nas famílias, especialmente quando surge o desespero e a queixa constante de que meu filho não come. Para abordar esse assunto com propriedade e esclarecer os mitos, a Unimed Campinas entrevistou a nutricionista Alessandra Galli.

Com mais de 20 anos de experiência clínica, a especialista esclarece os principais pontos sobre o desenvolvimento infantil e oferece dicas valiosas para as refeições. Veja estas orientações exclusivas para aprender a estimular hábitos saudáveis de forma leve, segura e sem pressões desnecessárias no dia a dia.

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O QUE A EXPRESSÃO “MEU FILHO NÃO COME” GERALMENTE QUER DIZER?

Na grande maioria dos casos, essa percepção reflete muito mais as expectativas irreais dos próprios adultos do que uma ingestão alimentar inadequada por parte da criança. Como a nutricionista Alessandra Galli observa em sua prática, os cuidadores tendem a focar apenas no volume ingerido e esquecem de analisar a variedade nutricional.

É um equívoco comum comparar a quantidade servida com o apetite de pessoas mais velhas ou de outras faixas etárias. O ideal é observar a curva de desenvolvimento sob orientação pediátrica, compreendendo que a evolução contínua e saudável importa muito mais do que forçar o consumo de grandes quantidades em uma única refeição.

QUAIS SÃO AS CAUSAS MAIS COMUNS PARA A CRIANÇA COMER POUCO OU RECUSAR ALIMENTOS?

A redução fisiológica do apetite, que ocorre de forma natural logo após o primeiro ano de vida, é a principal justificativa para que a criança coma pouco no cotidiano. Além desse marco no desenvolvimento, o excesso de lanches e bebidas fora de hora contribui diretamente para a falta de fome nas refeições principais.

Quando não existem horários fixos para as refeições, os pequenos acabam preferindo os beliscos rápidos que desorganizam o apetite. Outros fatores incluem as distrações à mesa e as experiências negativas anteriores com texturas desconhecidas. Compreender os pilares da alimentação saudável para começar a organizar a dinâmica da casa é o primeiro passo para reverter as recusas.

EXISTE DIFERENÇA ENTRE UMA FASE NORMAL DE MENOR APETITE E UM PROBLEMA QUE MERECE INVESTIGAÇÃO?

Sim, existe uma grande diferença clínica, pois os períodos comuns de menor interesse pela comida não costumam causar impactos nocivos no crescimento ou na saúde geral. A nutricionista destaca que o quadro passa a merecer investigação detalhada quando acompanhado de perda de peso, atraso no desenvolvimento motor, apatia constante ou sofrimento intenso durante as refeições.

A rejeição persistente de grupos alimentares inteiros também é um alerta grave que exige avaliação profissional. Manter a hidratação para a saúde em dia e observar o comportamento dos adultos, que servem de exemplo, são ações fundamentais de triagem inicial no ambiente doméstico.

QUAIS COMPORTAMENTOS DOS ADULTOS, MESMO BEM-INTENCIONADOS, PODEM DIFICULTAR AINDA MAIS A ALIMENTAÇÃO DA CRIANÇA?

Pressionar os filhos para raspar o prato ou negociar recompensas em troca da ingestão de verduras desorganizam completamente a percepção orgânica de saciedade. A atitude dos responsáveis dita a relação com a comida, transformando a mesa em um ambiente de punição, especialmente quando há o medo de que meu filho não come o suficiente.

Algumas práticas comuns que aumentam o atrito no dia a dia incluem:

     oferecer telas e brinquedos para distrair o foco durante a mastigação;

     preparar refeições exclusivas e diferentes apenas para agradar o paladar infantil;

     insistir de forma excessiva e gerar discussões em voz alta perto dos pequenos;

     fazer substituições imediatas por guloseimas quando há rejeição do prato principal.

O QUE OS PAIS PODEM FAZER NO DIA A DIA PARA ESTIMULAR UMA RELAÇÃO MAIS SAUDÁVEL COM A COMIDA?

A criação de regras claras e uma rotina previsível de horários é a atitude mais eficaz para estimular um relacionamento positivo e acabar com a queixa de que meu filho não come. Os familiares devem ser a referência principal, consumindo frutas e vegetais enquanto sentam-se à mesa juntos de forma prazerosa.

Outra estratégia poderosa citada pela especialista é permitir que a criança participe ativamente de escolhas no mercado e do preparo simples das receitas. Esse ato desperta o interesse visual e a curiosidade. Também é vital respeitar os sinais físicos de limite do corpo infantil e continuar apresentando os ingredientes recusados várias vezes, mudando apenas o modo de preparo.

COMO MONTAR UMA ROTINA ALIMENTAR QUE FAVOREÇA UMA MELHOR ACEITAÇÃO DOS ALIMENTOS?

Uma rotina eficiente é estruturada com horários definidos para todas as pausas do dia, garantindo intervalos biológicos adequados para que a fome surja naturalmente. Segundo Alessandra Galli, essa previsibilidade transmite segurança emocional e ensina o cérebro a reconhecer os sinais de fome e saciedade de maneira instintiva.

Para que essas mudanças ajudem a reverter o cenário em que meu filho não come o prato principal, não é recomendado oferecer beliscos ou sucos calóricos fora de hora. Também deve-se evitar a ingestão de grande volume de líquidos muito perto da refeição e assegurar que o ambiente familiar esteja livre de distrações tecnológicas.

COMO LIDAR COM A SELETIVIDADE ALIMENTAR SEM TRANSFORMAR A REFEIÇÃO EM UM MOMENTO DE ESTRESSE?

Para evitar desgastes, o primeiro passo é compreender que a seletividade alimentar é definida pela profissional como um comportamento de aceitação muito restrita, geralmente limitada a 10 ou 15 alimentos. Se a aceitação ultrapassa essa média, a criança provavelmente apresenta apenas preferências naturais e não um quadro clínico restritivo.

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A abordagem adequada envolve continuar servindo os itens rejeitados no mesmo prato das opções que já são bem aceitas, sem obrigar a ingestão. A exposição frequente e visual, aliada à paciência dos pais, reduz a ansiedade generalizada no ambiente familiar. Valorizar as pequenas conquistas e respeitar o tempo da criança são chaves para a aceitação gradual de novos sabores.

QUAIS SINAIS INDICAM QUE A CRIANÇA PRECISA SER AVALIADA POR UM PROFISSIONAL?

O comprometimento da curva de crescimento, a perda considerável de peso ou a estagnação prolongada na balança são os indicativos mais urgentes que exigem intervenção. Quando a fase de que meu filho não come se prolonga excessivamente e compromete a nutrição, a refeição deixa de ser um desafio comportamental e passa a ser um risco à saúde.

Dificuldades mecânicas na mastigação ou episódios recorrentes de engasgos durante a deglutição também demandam acompanhamento médico especializado e fonaudiólogo. Por fim, a principal mensagem deixada pela nutricionista Alessandra Galli aos pais angustiados é que a transformação real começa através do exemplo acolhedor em casa, com paciência e consistência.

Se o convívio se tornar sinônimo de brigas diárias e impacto emocional negativo, é o momento de buscar amparo técnico. Para proteger o bem-estar de quem você ama e agir com precisão, veja 5 situações sobre quando procurar um nutricionista

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