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Entenda o perigo das redes sociais para crianças e adolescentes

Viver com Saúde

Entenda o perigo das redes sociais para crianças e adolescentes

A presença digital na rotina dos jovens cresce assustadoramente. Telas dominam o dia a dia. Mas até que ponto essa conexão contínua é segura? Para falar desse assunto com propriedade, a Unimed Campinas entrevistou a psicóloga Larissa Caroline Benedito.

Mestre em Psicologia Clínica, ela aponta alertas essenciais para as famílias. Ignorar o perigo das redes sociais deixou de ser uma opção.

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USO DAS REDES SOCIAIS POR JOVENS: UM PANORAMA ATUAL

A entrada nas plataformas acontece cada vez mais cedo. Crianças pequenas já manipulam smartphones com facilidade. A Sociedade Brasileira de Pediatria, no entanto, traça limites bem estritos. Bebês de 0 a 2 anos não devem ter contato algum com telas. Entre 2 e 5 anos, o limite aceitável é de uma hora diária, sempre monitorada.

Para a faixa dos 6 aos 10 anos, a tolerância sobe para duas horas. Adolescentes, os usuários mais assíduos de aplicativos de vídeos e fotos, devem limitar a navegação a três horas por dia.

Estas recomendações são as esperadas para reduzir os impactos no desenvolvimento, porém, caso não sejam seguidas, é importante observar e estar sempre atento, pois isto pode progredir para o uso excessivo das redes sociais, e se tornar um facilitador para sérios problemas futuros.

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POR QUE CRIANÇAS E ADOLESCENTES SÃO MAIS VULNERÁVEIS AOS PERIGOS DAS REDES SOCIAIS?

Crianças e adolescentes são mais vulneráveis aos impactos negativos das redes sociais porque o cérebro ainda está em processo de desenvolvimento. Uma das regiões que ainda não está completamente madura é o córtex pré-frontal, responsável pelo controle emocional, pela tomada de decisões e pelo autocontrole.

Além disso, o uso das redes sociais estimula o sistema de recompensa cerebral, que nessa fase da vida é mais sensível. Esse estímulo aumenta a liberação de dopamina, neurotransmissor associado à sensação de prazer, o que pode favorecer o uso excessivo das plataformas e contribuir para o desenvolvimento de comportamentos compulsivos.

QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS RISCOS EMOCIONAIS E COMPORTAMENTAIS ASSOCIADOS AO USO DE TELAS POR JOVENS?

Os prejuízos se transformam conforme a criança cresce. Na primeira infância, a tela rouba o espaço da regulação emocional. Quando o celular é desligado, crises de raiva e choro tornam-se comuns. O atraso na fala e na interação social também preocupa os especialistas, afetando diretamente o desenvolvimento infantil.

Na adolescência, a busca por pertencimento fala mais alto. A aprovação dos colegas vira uma moeda de troca. O adolescente forja atitudes e muda a própria aparência para se encaixar em padrões irreais. A comparação diária esmaga a autoconfiança. É um impacto das redes sociais na saúde mental severo e silencioso.

COMO A EXPOSIÇÃO CONSTANTE ÀS REDES SOCIAIS AFETAM A AUTOESTIMA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES?

Perfis editados, corpos sem falhas, rotinas luxuosas. Tudo parece perfeito na tela. O jovem consome essa realidade fabricada e sente que a própria vida é um fracasso. A frustração toma conta.

A tentativa de alcançar a perfeição estética causa estragos. Dietas extremas viram rotina. Transtornos alimentares como bulimia e anorexia encontram terreno fértil. Para lidar com tamanha dor, alguns jovens podem recorrer ao álcool e outras substâncias.

QUAL É A RELAÇÃO ENTRE USO DE REDES SOCIAIS E TRANSTORNOS EMOCIONAIS EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES?

O tempo exagerado rolando o feed adoece. Pesquisas já associam a conexão sem limites à depressão e ansiedade aguda. A pressão para demonstrar  uma vida feliz esgota a energia emocional do jovem.

A inadequação vira um fantasma diário. O jovem duvida de si mesmo. Percebe seu cotidiano como inferior. Preservar a saúde mental dos adolescentes exige quebrar as amarras dessa comparação tóxica.

ENTENDA O QUE É CYBERBULLYING E SEU IMPACTO NO DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL DOS JOVENS

A intimidação ultrapassou os muros da escola. O cyberbullying destrói reputações e machuca de forma anônima . É uma forma de violência  feita por mensagens, fotos e jogos.

A vítima sente vergonha, medo, insegurança Começa a acreditar nas agressões que lê, que pode gerar sentimentos de inferioridade, isolamento social e sofrimento emocional intenso. Em casos mais graves, essa situação pode contribuir para o desenvolvimento de ansiedade, depressão e até aumentar o risco de pensamentos suicidas. Se você nota que seu filho está sofrendo bullying, aja imediatamente.

COMO IDENTIFICAR OS SINAIS DE QUE O USO DAS REDES SOCIAIS ESTÁ PREJUDICANDO A SAÚDE MENTAL OU O COMPORTAMENTO DE UMA CRIANÇA OU ADOLESCENTE?

O corpo e o comportamento dão sinais claros de exaustão digital. Fique de olho nos seguintes alertas:

     irritabilidade frequente e tristeza prolongada sem causa aparente;

     necessidade compulsiva de checar notificações e angústia ao ficar sem bateria;

     uso indiscriminado do smartphone durante a madrugada;

     afastamento dos amigos reais e perda de interesse em hobbies;

     alterações no desempenho escolar e procrastinação nos estudos;

     insônia e cansaço extremo ao longo do dia.

QUAL É O PAPEL DOS PAIS E RESPONSÁVEIS NA MEDIAÇÃO DO USO DAS REDES SOCIAIS E COMO ESTABELECER REGRAS SAUDÁVEIS SEM GERAR CONFLITOS?

A mudança começa no exemplo. Adultos que não largam o celular perdem a autoridade para cobrar os filhos. O diálogo sincero é a ferramenta principal.

Construam os limites juntos. Defina horários sem conexão, especialmente nas refeições. Conheça os aplicativos que seus filhos usam e converse sobre privacidade. Proponha mais vida fora da internet. Incentivar a prática de uma atividade física em família fortalece os laços afetivos. O perigo das redes sociais diminui consideravelmente  quando o mundo real se torna um refúgio seguro.

Apoiar os filhos nos desafios diários é fundamental para um desenvolvimento pleno. Quer entender melhor essas dores e buscar soluções práticas? Leia nosso artigo sobre estresse em crianças e adolescentes.

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