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Síndrome Nefrótica: Entenda Essa Doença Rara

Viver com Saúde

Síndrome Nefrótica: Entenda Essa Doença Rara

Você já notou seus tornozelos mais inchados que o normal no fim do dia? Ou talvez tenha percebido a urina com uma aparência mais espumosa, que não desaparece rapidamente? Embora muitas vezes ignoremos esses sinais, eles podem ser um alerta para um problema nos rins que merece atenção.

Uma das condições relacionadas a esses sintomas, embora pouco comum, é a Síndrome Nefrótica. Ela é considerada uma doença rara dos rins, mas seu impacto na qualidade de vida pode ser significativo. A boa notícia é que o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para preservar a função renal e evitar complicações mais sérias.

Se você se preocupa com a saúde e busca entender melhor os sinais do seu corpo, este artigo é para você. Vamos desvendar o que é a Síndrome Nefrótica, suas principais causas, sintomas e quais são as formas de tratamento disponíveis hoje.

O QUE É A SÍNDROME NEFRÓTICA?

De forma simples e direta, a Síndrome Nefrótica é uma condição que ocorre quando os rins, por algum motivo, passam a eliminar uma quantidade excessiva de proteínas através da urina.

Para entender melhor, pense nos glomérulos — estruturas minúsculas dentro dos rins — como filtros de café de altíssima precisão. Em uma situação normal, eles filtram o sangue, retêm as proteínas (que são moléculas grandes e importantes para o corpo) e eliminam apenas o excesso de líquido e as "impurezas".

Quando esses filtros (os glomérulos) estão danificados ou inflamados, eles perdem a capacidade de segurar as proteínas, que acabam "vazando" para a urina. Esse "vazamento" de proteínas, especialmente da albumina, causa uma série de desequilíbrios no organismo, que caracterizam a síndrome.

É importante saber que ela pode ser classificada de duas formas:

     primária: quando o problema se origina diretamente nos rins, sem uma causa externa identificável;

     secundária: quando ela é uma consequência, um sintoma, de outra doença que afeta o corpo todo, como o diabetes ou o lúpus.

PRINCIPAIS CAUSAS DA SÍNDROME NEFRÓTICA

Identificar a origem do problema é o passo mais crucial para definir o tratamento correto. Como vimos, as causas podem começar nos próprios rins (primárias) ou ser um reflexo de outras condições (secundárias).

CAUSAS PRIMÁRIAS 

Quando a doença é primária, ela geralmente se enquadra em três tipos principais de lesões renais:

     doença de lesões mínimas: é a causa mais frequente em crianças, mas também pode afetar adultos. O nome "mínimas" vem do fato de que, ao microscópio, o dano no rim é quase imperceptível, embora a perda de proteína seja intensa;

     glomeruloesclerose segmentar e focal (GESF): é um tipo de cicatrização que atinge algumas partes (segmentar) de alguns glomérulos (focal). Pode ser idiopática (sem causa conhecida) ou secundária;

     glomerulonefrite membranosa: ocorre um espessamento da membrana dos glomérulos devido ao acúmulo de anticorpos, o que afeta sua capacidade de filtragem. É uma causa mais comum em adultos.

CAUSAS SECUNDÁRIAS 

Nesses casos, o rim não é a origem, mas sim a vítima de um problema sistêmico. As causas secundárias mais comuns incluem:

     diabetes mellitus: o excesso de glicose no sangue pode, a longo prazo, danificar os filtros renais (a chamada nefropatia diabética);

     lúpus eritematoso sistêmico: sendo uma doença autoimune, o sistema de defesa ataca o próprio corpo, incluindo, em muitos casos, os glomérulos renais;

     infecções: algumas infecções, como hepatites virais e o HIV, podem desencadear a síndrome;

     uso de certos medicamentos: o uso prolongado e sem orientação de alguns anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), por exemplo, pode ser tóxico para os rins.

     outras doenças autoimunes e alguns tipos de câncer (como linfomas).

QUAIS SÃO OS SINTOMAS DA SÍNDROME NEFRÓTICA

Os sintomas aparecem justamente por causa da baixa quantidade de proteínas no sangue (especialmente a albumina) e do acúmulo de líquidos que isso provoca. Fique atento aos sinais:

     inchaço (edema): este é o sintoma mais característico. Geralmente começa nos tornozelos e pés (piorando ao longo do dia) e ao redor dos olhos (mais nítido ao acordar). Em casos mais graves, o inchaço pode se generalizar, afetando abdômen (ascite) e até os pulmões;

     urina espumosa: é o sinal clássico da proteinúria (excesso de proteína na urina). A espuma parece a de um "colarinho de cerveja" e demora a desaparecer;

     ganho de peso rápido: é um ganho de peso "falso", causado não por gordura, mas pelo acúmulo de líquidos no corpo;

     fadiga e fraqueza: a perda de proteínas e o mal-estar geral causam um cansaço persistente;

     Perda de apetite;

     colesterol alto: o fígado tenta compensar a perda de proteína produzindo mais, e nesse processo, também acaba liberando mais colesterol e triglicerídeos.

COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO DA SÍNDROME NEFRÓTICA?

Ao notar sintomas como inchaço persistente ou urina espumosa, procurar um médico é fundamental. O diagnóstico de uma doença renal como a Síndrome Nefrótica envolve uma investigação cuidadosa para confirmar a condição e, principalmente, descobrir sua causa.

O médico irá solicitar exames laboratoriais simples, mas essenciais:

     exames de urina (como o tipo 1 ou a urina de 24 horas): são usados para confirmar e medir a quantidade de proteína que está sendo perdida (proteinúria);

     exames de sangue: utilizados para verificar os níveis de albumina (que estarão baixos), os níveis de colesterol (que estarão altos) e a função renal geral (através da creatinina);

     biópsia renal: em muitos casos, especialmente em adultos, este exame é necessário. Nele, um pequeno fragmento do rim é retirado com uma agulha especial para ser analisado em laboratório. A biópsia é a única forma de saber exatamente qual o tipo de lesão (como GESF ou membranosa) está causando o problema, definindo assim o tratamento.

O diagnóstico precoce é a melhor forma de evitar danos permanentes aos rins. Por isso, manter seus exames preventivos em dia é uma das melhores atitudes que você pode ter pela sua saúde. É importante também não confundir os sintomas com os de outras condições renais, como uma pielonefrite, tipo de infecção renal que, embora diferente, também exige atenção médica imediata.

QUAL É O TRATAMENTO DA SÍNDROME NEFRÓTICA?

O tratamento para a síndrome nefrótica tem múltiplos objetivos: reduzir os sintomas (como o inchaço), controlar a perda de proteínas, tratar a causa base (seja ela primária ou secundária) e proteger os rins de danos futuros.

O plano de tratamento depende totalmente da causa descoberta na biópsia.

USO DE MEDICAMENTOS 

A terapia medicamentosa é quase sempre necessária e pode incluir:

     corticoides (como a prednisona) e imunossupressores: são usados para controlar a inflamação e "acalmar" o sistema imunológico, especialmente nas causas primárias (como Lesões Mínimas e GESF) e autoimunes (como o lúpus);

     diuréticos: essenciais para ajudar os rins a eliminar o excesso de líquido e sal do corpo, aliviando o inchaço;

     medicamentos para controle da pressão arterial (IECA ou BRA): mesmo que não haja um quadro de hipertensão associado, esses remédios são muito usados, pois têm um efeito adicional de proteger os rins e diminuir a quantidade de proteína que vaza pela urina;

     estatinas: para controlar os níveis elevados de colesterol e reduzir os riscos cardiovasculares.

É fundamental ter em mente que os medicamentos só devem ser utilizados com orientação médica!

CUIDADOS COM A ALIMENTAÇÃO E ESTILO DE VIDA 

Os ajustes na rotina são tão importantes quanto os medicamentos para o sucesso do tratamento:

     dieta com restrição de sal: este é o ponto mais crítico. Como o corpo já está retendo líquido, o consumo de sódio (presente no sal e em alimentos industrializados) deve ser rigorosamente controlado para diminuir o inchaço;

     moderação no consumo de proteínas: embora o corpo esteja perdendo proteína, comer proteína em excesso pode sobrecarregar os rins já fragilizados. O médico ou nutricionista indicará a quantidade ideal;

     hidratação adequada: é preciso beber água, mas em alguns casos de inchaço severo, o médico pode orientar uma leve restrição de líquidos;

     evitar medicamentos sem prescrição: é fundamental não tomar anti-inflamatórios ou qualquer outro remédio sem o conhecimento do médico, pois muitos deles podem piorar a função renal.

A Síndrome Nefrótica é uma condição complexa e rara, mas que pode ser gerenciada com sucesso. O ponto de partida é sempre valorizar os sinais que seu corpo dá. Inchaço e urina espumosa não devem ser tratados como normais.

Ao buscar orientação médica diante de qualquer sinal suspeito, você permite um diagnóstico precoce, que é a chave para proteger seus rins de um problema nos rins mais grave. Cuidar da saúde renal envolve adotar hábitos saudáveis e estar atento.

Para continuar aprendendo sobre como manter seus rins protegidos no dia a dia, convidamos você a ler nosso artigo completo sobre doença renal e como se prevenir na prática.

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