Faltou tempo
para a academia de novo? Bateu a preguiça de encarar o trânsito só para malhar?
Se você se reconheceu em alguma dessas cenas, talvez o treino em casa seja a
saída que estava faltando. Dá para deixar o sedentarismo de lado sem sair da
sala e sem gastar com equipamento. Para mostrar como, a Unimed Campinas
conversou com o educador físico Emerson Clodoaldo dos Santos, que reuniu
orientações práticas para quem quer começar do zero. Veja o que ele recomenda.
QUAIS SÃO OS BENEFÍCIOS DE COMEÇAR A TREINAR EM CASA?
A praticidade
é o ganho que salta aos olhos: sem deslocamento e sem horário de aula, encaixar
o exercício na rotina fica muito mais simples. Mas os benefícios vão bem além
da agenda. Com constância, o corpo responde: coração e circulação passam a
trabalhar melhor, e a força muscular aumenta; tarefas comuns, como subir escada
ou carregar sacola, deixam de cansar tanto e o sono, humor e disposição também
entram na conta.
Ou seja, o
treino em casa rende no músculo e na cabeça ao mesmo tempo. Aliás, essa relação
entre movimento e mente merece um capítulo à parte, como explica este conteúdo
sobre a importância da atividade física para a saúde mental.
QUEM ESTÁ SEDENTÁRIO PODE COMEÇAR A SE EXERCITAR SOZINHO?
Na maioria
dos casos, pode, desde que comece devagar. Para quem está parado há muito
tempo, atividades leves a moderadas são o ponto de partida seguro. O sinal
amarelo aparece em situações específicas: quem convive com doenças crônicas,
sente algum sintoma fora do comum ou tem histórico de saúde mais delicado deve
passar por uma avaliação antes de puxar o primeiro agachamento.
Sair dessa
condição, vale dizer, não é frescura. Ficar parado cobra seu preço, com
consequências que vão do impacto no coração ao ganho de peso.
COMO COMEÇAR A FAZER EXERCÍCIOS EM CASA?
No começo do
treino em casa, menos é mais. De dez a vinte minutos por sessão já bastam para
o corpo entender o recado, sempre com movimentos simples e de baixo impacto. A
pressa, aqui, atrapalha: o segredo está em aumentar tempo e intensidade aos
poucos, respeitando o ritmo de adaptação de cada um. Ninguém precisa virar
atleta na primeira semana. Precisa, sim, dar ao corpo a chance de se acostumar
sem cobrança.
QUAIS EXERCÍCIOS SÃO INDICADOS PARA INICIANTES?
Os melhores
exercícios para quem está começando são também os mais acessíveis, aqueles que
funcionam para quase todo mundo:
●
caminhada estacionária, marchando sem sair do lugar;
●
sentar e levantar da cadeira, repetindo o movimento;
●
alongamentos e exercícios de mobilidade;
●
agachamentos assistidos e outros que usam apenas o peso
do corpo.
São opções
que cabem em qualquer sala e não pedem preparo prévio. Se a ideia de treinar
usando o próprio corpo despertar seu interesse, vale conhecer o que é a calistenia e quais são seus benefícios.
É POSSÍVEL TREINAR EM CASA SEM EQUIPAMENTOS?
Totalmente: o
treino em casa não depende de aparelho. O próprio peso corporal já funciona
como uma academia completa, e exercícios como agachamento, prancha e flexão
adaptada trabalham vários músculos sem custar nada. Também dá para ir além
improvisando com o que a casa oferece: a escada vira um step, a cadeira apoia o
movimento, a garrafa de água faz as vezes de peso. No fim, o que define o
resultado não é o equipamento sofisticado, e sim a regularidade de aparecer
para treinar.
QUAIS CUIDADOS AJUDAM A EVITAR LESÕES?
Treinar em
casa não dispensa cuidado. Pelo contrário: sem um professor observando de
perto, a atenção precisa partir de você. Antes de começar, alguns pontos valem
uma conferida:
●
reservar um espaço livre, arejado e bem iluminado;
●
vestir roupa confortável e calçado adequado para a
atividade;
●
cuidar da postura e da execução de cada movimento;
●
buscar a orientação de um profissional de Educação Física
sempre que possível.
Movimento bem
executado protege as articulações e ainda faz o treino render mais. Para dar os
primeiros passos com o pé direito, este material com dicas para iniciantes em exercícios físicos
ajuda bastante.
COMO SABER SE É DESCONFORTO NORMAL OU SINAL PARA PARAR?
Cansar é
esperado; sentir dor aguda, não. Essa é a linha que separa o desconforto
natural do sinal de alerta. Depois de um tempo parado, faz parte da adaptação
que os músculos fiquem cansados e a respiração acelere durante o esforço. O
corpo, porém, tem avisos que não devem ser ignorados:
●
dor aguda ou repentina em alguma região;
●
tontura ou sensação de desmaio;
●
falta de ar intensa;
●
dor ou aperto no peito.
Diante de
qualquer um desses sinais, o certo é interromper o exercício e procurar
avaliação. Respeitar esses limites é o que mantém o treino como aliado, e não
como problema.
COMO CRIAR CONSTÂNCIA E NÃO ABANDONAR O TREINO?
Constância se
constrói com metas do tamanho da sua realidade, não com promessas mirabolantes
de segunda-feira. Jurar uma hora de treino todos os dias costuma terminar em
frustração; combinar três blocos curtos por semana, em horários fixos, tende a
durar muito mais. Ajuda também escolher atividades de que você realmente goste,
porque ninguém sustenta por meses algo que detesta, e acompanhar a própria
evolução sem exigir perfeição. Cada treino que sai do papel já conta como
vitória.
E, já que
falta de tempo é o vilão mais comum de quem tenta criar o hábito, aqui vai um
último empurrão: se a rotina anda apertada, veja estas 6 dicas de exercícios para quem tem pouco tempo no dia a
dia e comprove que dá para se movimentar mesmo nos dias mais
corridos.
Organização Mundial da Saúde (OMS). Diretrizes sobre atividade física e comportamento sedentário. Disponível em: https://iris.who.int/server/api/core/bitstreams/9e776de6-adc7-46c1-936f-6dd2bb4f7373/content
Ministério da Saúde. Guia de Atividade Física para a População Brasileira. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/guias-e-manuais/2021/guia-de-atividade-fisica-para-a-populacao-brasileira.pdf/view
Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE). Disponível em: sbmee.org.br