Carregando...
App Unimed Campinas

App Unimed Campinas Unimed

Baixar
VOLTAR

Falta de Libido: O Que Fazer Para Retomar o Desejo?

Viver com Saúde

Falta de Libido: O Que Fazer Para Retomar o Desejo?

Perceber a falta de vontade de transar pode gerar bastante angústia e dúvidas. A rotina esmaga, o cansaço domina o corpo e, quase sem perceber, o interesse íntimo simplesmente desaparece.

Para falar desse assunto com propriedade e esclarecer os principais pontos, a Unimed Campinas entrevistou a psicóloga Tatiana Thomaz Moreira Bitteler. Leia este artigo para entender a fundo a falta de libido e descobrir caminhos possíveis para reencontrar o equilíbrio.

O QUE CARACTERIZA A FALTA DE LIBIDO?

A falta de libido caracteriza-se pela redução ou ausência persistente do desejo sexual. Isso inclui tanto o desejo que surge de forma natural, chamado de espontâneo, quanto o responsivo, que aparece a partir de estímulos e interação com outra pessoa.

A questão central não se trata apenas da diminuição da frequência de relações sexuais. O foco está na redução do interesse, da motivação ou mesmo da fantasia sexual. Em termos clínicos, quando essa situação gera sofrimento significativo ou causa prejuízo na vida pessoal e relacional, o quadro pode ser considerado como Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo.

QUAL É A DIFERENÇA ENTRE DIMINUIÇÃO TEMPORÁRIA DE DESEJO E FALTA DE LIBIDO?

Existe, sim, uma diferença clara. A diminuição temporária do desejo costuma estar associada a fatores circunstanciais e passageiros. Estresse, cansaço acumulado, conflitos pontuais, alterações hormonais ou até mesmo o uso de determinados medicamentos são exemplos comuns. Nesses casos, a situação tende a se resolver de forma natural assim que o cenário se estabiliza.

Por outro lado, um quadro persistente de falta de libido se caracteriza pela manutenção desse baixo interesse por meses, de maneira contínua. Esse estado é frequentemente acompanhado de frustração, impacto negativo na relação e sofrimento emocional.

É NORMAL PASSAR POR FASES DE MENOR DESEJO SEXUAL?

Sim, é absolutamente normal. A libido não é algo estático; ela oscila naturalmente ao longo da vida. Fatores como fases intensas na vida profissional, o período de maternidade ou paternidade, mudanças corporais, rotina engessada, questões hormonais e a saúde mental influenciam diretamente essa variação.

As oscilações são esperadas e fazem parte do desenvolvimento humano. O ponto de atenção surge apenas quando essa redução se torna muito prolongada e começa a causar algum tipo de sofrimento.

QUANDO A FALTA DE LIBIDO DEIXA DE SER ALGO PONTUAL E PASSA A EXIGIR ATENÇÃO?

Existem alguns sinais cruciais que indicam que a situação deixou de ser passageira e passou a exigir mais cuidado. Alguns desses sinais são:

     persiste por um período prolongado, geralmente acima de seis meses;

     gera sofrimento individual constante;

     provoca conflitos recorrentes no relacionamento;

     vem acompanhada de sintomas emocionais, como tristeza persistente, ansiedade intensa ou irritabilidade;

     há evitação frequente de intimidade devido a um desconforto emocional.

Se esses sinais estiverem presentes de forma contínua, impactando o bem-estar ou a dinâmica da relação, é fundamental buscar orientação profissional. Isso ajuda a compreender as causas profundas e a encontrar o suporte adequado para promover equilíbrio e qualidade de vida.

QUAIS FATORES EMOCIONAIS MAIS IMPACTAM A LIBIDO?

O desejo é profundamente influenciado pela nossa saúde emocional. Quando o lado emocional está sobrecarregado, a intimidade costuma ser um dos primeiros aspectos a sofrer impacto, pois a sexualidade é um fenômeno biopsicossocial. Entre os principais fatores estão:

     ansiedade: aumenta o estado de vigilância e reduz a capacidade de entrega e relaxamento, deixando a mente em alerta e dificultando a conexão com o próprio corpo;

     depressão: causa a perda de interesse e prazer geral, inclusive no âmbito sexual;

     estresse crônico: eleva os níveis de cortisol, comprometendo a energia e a disposição;

     sobrecarga e carga mental: muito comum em mulheres, essa exaustão reduz o espaço psíquico para o erotismo;

     traumas sexuais: experiências negativas podem gerar bloqueios, medo, culpa ou evitação do contato, exigindo cuidado especial com cada trauma;

     problemas de autoestima: a insegurança com a imagem corporal interfere diretamente na disponibilidade para o contato íntimo;

     falta de conexão no relacionamento: ressentimentos acumulados, distanciamento afetivo e conflitos não resolvidos afetam fortemente o desejo a dois.

COMO DIFERENCIAR FALTA DE LIBIDO INDIVIDUAL DE FALTA DE CONEXÃO NO CASAL?

Uma forma importante de compreender a questão é analisar em qual contexto a ausência do desejo se manifesta. Quando a pessoa não sente vontade em nenhuma circunstância, seja sozinha ou acompanhada, isso indica uma questão individual, muitas vezes ligada a aspectos psicológicos ou fisiológicos.

Por outro lado, quando o desejo aparece em fantasias ou na masturbação, mas não na relação com a parceria, isso costuma sinalizar um desgaste na dinâmica do relacionamento ou uma perda de conexão afetiva. Entender como recuperar a libido, nesses casos, exige observação cuidadosa, pois os fatores individuais e relacionais podem se misturar.

QUAIS SINAIS INDICAM QUE A FALTA DE LIBIDO PODE ESTAR LIGADA A UM SOFRIMENTO EMOCIONAL MAIS PROFUNDO?

A baixa no desejo pode ser um sintoma secundário de um quadro emocional muito mais amplo e complexo. Alguns sinais de alerta que exigem atenção incluem:

     tristeza persistente ou sensação constante de vazio;

     ansiedade frequente ou crises de pânico;

     irritabilidade constante e dificuldade em lidar com emoções difíceis;

     alterações importantes no padrão de sono e apetite;

     sentimento forte de culpa ou inadequação;

     histórico de traumas;

     queda global no interesse por outras atividades que antes eram prazerosas.

QUAIS SÃO OS PRIMEIROS PASSOS PARA QUEM PERCEBE QUE ESTÁ COM BAIXA LIBIDO?

O passo inicial é observar quando a mudança começou e o que estava acontecendo na sua vida naquele período específico. Reflita sobre os níveis de estresse, a qualidade do seu sono, sua rotina diária e sua saúde emocional de modo geral.

Caso você tenha uma parceria, conversar de forma aberta e acolhedora é essencial para reduzir mal-entendidos e fortalecer a relação. Além disso, buscar uma avaliação médica ajuda a descartar causas hormonais ou efeitos colaterais de remédios, abrindo espaço também para considerar o acompanhamento psicológico.

A TERAPIA PODE AJUDAR A RESOLVER A FALTA DE LIBIDO?

Sim, a terapia contribui de forma bastante significativa. Durante o processo, é possível identificar os fatores emocionais ocultos e trabalhar questões centrais como ansiedade, depressão e possíveis traumas. A psicoterapia também auxilia no fortalecimento da autoestima e na reconstrução da imagem corporal, pilares essenciais para uma relação saudável com o prazer.

Quando há um relacionamento envolvido, o espaço terapêutico melhora a comunicação, resgata a intimidade e ajuda a elaborar conflitos, sendo a terapia de casal uma excelente indicação em vários cenários. A abordagem oferece um ambiente ético e acolhedor, livre de julgamentos, para promover o autoconhecimento.

Se você sente que a sua saúde emocional está impactando sua vida íntima e suas relações, dar o primeiro passo rumo ao cuidado profissional faz toda a diferença. Aproveite para ler também o nosso artigo sobre quando procurar um psicólogo.

Planos Rede

O que você procura?